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| Entre os amigos também ciclistas em pique-nique no Parque Ibirapuera em São Paulo. (Foto: Arquivo pessoal) |
Entrevistada do TCFBrasil conta como a bicicleta ajudou a transformar sua vida
Sabemos que não é fácil deixar o conforto do carro para se aventurar com a bicicleta pelas ruas de São Paulo. Porém, a jornalista Luiza Jugdar tomou coragem, colocou o capacete e acabou descobrindo uma nova cidade e até uma nova Luiza – como ela conta de maneira sincera e envolvente no seu blog. A experiência de deixar o automóvel em casa e usar a bike para ir e vir pela cidade trouxe muitos benefícios para a vida da jornalista, que hoje economiza uma boa quantia por mês e se considera uma pessoa bem mais auto-confiante.
Como Luiza nos conta na entrevista abaixo, as transformações aconteceram de forma natural durante esse um ano que se tornou uma bike commuter da capital paulista. Hoje o bolso agradece, já que a jornalista deixou de gastar com gasolina, estacionamento, IPVA, multas e por aí afora. A economia chega aos 600 reais por mês, dinheiro que agora usa para outras coisas que gosta de fazer.
Além do alívio no bolso, Luiza garante que também ganhou tempo e qualidade de vida, pois sente satisfação antes, durante e depois da pedalada. Quando ia de carro para o trabalho, passava 1h20 no trânsito. Já com a magrela, o mesmo trajeto dura apena 20 minutos. Somando ida e volta, ela ganhou 2h do seu dia. No final de um mês são 40 horas, quase dois dias, que Luiza tem para realizar outras atividades mais produtivas e interessantes do que ficar parada dentro do carro… Já pensou?!
Assim fica mais fácil entender porque a jornalista se sente mais vibrante, saudável e até mais decidida, já que dividir a via com os carros exige destreza e posicionamento. Por todos os benefícios que conquistou com essa mudança de hábito, Luiza se tornou uma entusiasta da bicicleta e conta para o TheCityFix Brasil como foi esse processo e os medos que teve que encarar até descobrir um novo estilo de vida, bem mais interessante. Acompanhe na entrevista abaixo:
Quando decidiu trocar o carro pela bicicleta tinha ideia da economia de tempo e dinheiro que faria?
Eu tinha ideia. Mas, na prática, foi muito mais eficiente do que eu poderia supor. No final, não é só a economia para ir e voltar do trabalho, a bike acaba sendo o principal meio de transporte para qualquer lugar.
Você sempre morou perto do trabalho ou decidiu se mudar para facilitar o deslocamento diário?
Eu tive apenas um emprego que era ‘longe’ de casa. Quando trabalhei no Consulado Americano levava 40 minutos para e ir e 40 minutos para voltar. Isso porque entrava às 7h30 e saia às 16h30, quer dizer, completamente fora do rush. Quando passei a trabalhar na Faria Lima, no horário comercial usual [das 9h às 18h], depois de dois dias indo de carro decidi tentar a bike. Eu nunca aceitei empregos que fossem completamente fora de mão ou sem a opção de transporte público, apesar de sempre ter tido carro.
Muita gente pensa em abandonar o hábito do carro, mas tem medo de se arriscar nas ruas. Qual conselho você daria para alguém dar o primeiro passo, ou melhor, a primeira pedalada, assim como você?
Entendo o medo. Existe de fato uma série de fatores de risco. Mas não podemos ignorar todos os riscos de acidentes de carro, moto ou até mesmo à pé. E até mesmo a propensão aos assaltos e violências, infelizmente, corriqueiras. São Paulo não é uma cidade segura para ninguém. Acredito que o primeiro passo é ir pedalar no parque ou na ciclofaixa em um fim de semana. Assim a pessoa já vai se familiarizando com a bike. O segundo passo é o Bike Anjo, isto é, alguém que vai te ajudar a traçar a rota ideal e que poderá te acompanhar até que não haja mais o nível de insegurança inicial.
os lugares. Para mim, ser parte de um grupo de pessoas diversificadas que não irão me excluir [ou a qualquer outra pessoa] por ‘excesso de autenticidade’, já pareceria sensacional! Mas, sem dúvida alguma, a principal mudança de comportamento foi em relação ao posicionamento. O mais legal foi que aconteceu naturalmente, quando eu me dei conta, já estava mais assertiva nas discussões de trabalho ou ao pedir um aumento para o meu chefe.
Algo que percebi, mas que é bastante subjetivo, foi em relação ao uso do instinto. Nossa vida urbana acomodada, e digo nossa porque a minha vida é bastante confortável, nos leva a muitas vezes deixar o nosso instinto de lado. Não estou falando daquele instinto sobrenatural, estou falando do instinto científico, aquele que em situações de risco nos enche de adrenalina e nos põe em ação para salvar a própria pele. Em diversas situações racionais o instinto pode prejudicar, por exemplo numa decisão financeira no mercado de ações. Apesar da descarga de adrenalina, natural para situações que exigem decisões rápidas, a decisão deve ser racional, baseada em fatores analíticos. Nosso cérebro pode ser bastante desregulado quanto a isso. Porém, em situações de risco eminente ou em que algo parece nitidamente errado, por alguma razão a maioria das pessoas parece ignorar o que trouxe o Homem até aqui, o instinto de sobrevivência.
Após passar por algumas situações bastante assustadoras no trânsito, aprendi que muitas vezes não precisamos, e nem temos tempo, para pensar e achar a melhor solução para um problema. Lembrei que ter este instinto animal embutido na nossa ‘superioridade racional humana’ é muito útil. Você não tem tempo para pensar em como agir quando um carro te fecha na Avenida Paulista. Aliás, muitas vezes, se formos pensar, escolheremos a opção menos eficiente. Porém, se você apenas age nos milésimos de segundo disponíveis, focando em manter a sua própria integridade física, parece funcionar bem. Não sou uma especialista no assunto, mas notei que a minha resposta instintiva `as situações de risco ficaram muito mais rápidas e eficientes, afinal, passei também a confiar em mim mesma muito mais.
Fonte: The City Fix Brasil

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