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sexta-feira, 13 de julho de 2012

Os ciclistas deveriam usar máscaras de poluição?


Máscara com filtro e válvulas.

Uma das poucas diferenças que eu notei quando me mudei para São Paulo foi que não vi nenhum ciclista usando máscara de poluição para se proteger da fumaça do trânsito. Eu sempre usava uma quando pedalava em Londres, então, decidi fazer uma breve pesquisa antes de escrever este artigo.

Pessoas que pedalam estão expostas à poluição nas metrópoles. (Foto: Letizia Airoldi) 


Os ciclistas estão mais expostos ao risco de poluição dos motores a diesel. Há mais chance de as partículas desses motores serem inaladas até os pulmões do que de as partículas maiores reduzirem a quantidade de oxigênio que o sangue pode carregar e, assim, reduzir a função pulmonar. Um amigo me enviou a fotografia abaixo de dois filtros de uma máscara: um novo e um que já tinha sido utilizado. Como você pode ver, eles concentram muita sujeira. 


Poluição do ar em São Paulo. (Foto: Simon Robinson)

Nem todos os ciclistas utilizam a máscara no Reino Unido, e perguntei a alguns amigos que pedalam o que eles pensam sobre o assunto. Eles apontaram uma série de motivos para não utilizá-las por acreditar que o ar de suas cidades não é poluído ou porque se sentem desconfortáveis. Ainda, alguns ciclistas disseram não acreditar na eficiência da máscara, então decidi ir atrás para tentar responder esta dúvida.
Dos ciclistas que usam as máscaras, muitos garantiram que a produzida pela Respro é a melhor. Sua tecnologia foi originalmente desenvolvida para uso militar, e suas máscaras são projetadas para filtrar dois tipos de poluição: i) gases e vapores e ii) partículas como poeira de estrada, emissões de diesel, etc.
Se você ainda não viu uma máscara de poluição de perto, ela conta com dois componentes principais: filtros e válvulas. O filtro precisa ser capaz de filtrar a poluição ao mesmo tempo que permite que a pessoa realize seu exercício físico sem dificuldade, por isso as válvulas agregadas podem aumentar a eficiência da máscara.
Filtro usado mostra quantidade de poluição que ciclista poderia inalar. 



Nem sempre podemos confiar em uma pesquisa feita por uma empresa que está usando esse estudo para vender seus produtos. Encontrei, então, um estudo científico que aponta que os melhores filtros não são aqueles projetados para ciclistas, mas sim os vendidos pela 3M para uso na indústria de construção. O estudo concluiu que esse tipo de máscara pode ajudar a reduzir os riscos dos efeitos da poluição sobre a pressão arterial e variabilidade da frequência cardíaca.
Então é isso. Para reduzir a poluição dos automóveis e a quantidade de tráfego aqui em São Paulo, e claro de muitas outras cidades, precisamos ter mais pessoas pedalando. Mas precisamos garantir a saúde bem como a segurança dos ciclistas e, para isso deve-se incentivar as pessoas a se protegerem da poluição causada pelos automóveis.
Agora gostaria de saber a opinião dos ciclistas brasileiros sobre isso. Eu jamais gostaria de falar para os outros o que eles devem fazer, mas sinto que seria interessante iniciar uma conversa sobre o assunto. Dê sua opinião!
Por Simon Robinson,Ciclista, morador de São Paulo e editor do www.transitionconsciousness.org./Fonte: TheCityFixBrasil


sexta-feira, 6 de julho de 2012

Projeto Bicycle Portraits chega ao Brasil




Pode não ser uma característica de absolutamente todos os ciclistas urbanos, mas fotografar outras bicicletas e pessoas – por diversas motivações – é uma prática bem comum e cada vez mais recorrente entre quem pedala.
Com os fotógrafos Stan Engelbrecht e Nic Grobler não foi diferente. Durante dois anos eles registraram a cultura local e vivências ligadas ao uso da bicicleta na África do Sul e, com o material, produziram uma série de livros chamados de Bicycle Portraits (ou Retratos de Bicicleta).
Stan e Nic publicaram mais de 500 fotos, que mostram a relação dos sul-africanos com suas bicicletas. As imagens são cheias de histórias e sentimentos.
Exposição em São Paulo
Alguns exemplares dos livros serão trazidos e expostos pela primeira vez no Brasil. O evento acontece na Ciclo Vila, Zona Sul da São Paulo, onde Nic Grobler receberá o público para um bate-papo informal nesse nesse sábado, 07 de julho, às 14h30.
A Ciclo Vila fica numa travessa da Rua do Rócio, a R. Dr. José Alves de Souza Neto, 49.

Sobre o projeto
“Quando começamos o projeto Bicycle Portraits, o objetivo era ser um estudo da cultura Sul-africana. Queríamos descobrir quem pedalava, se as pessoas amavam suas bicicletas e, claro, por que tão poucos sul-africanos a escolhem como opção de transporte. Mas Bicycle Portraits se transformou em um retrato de uma nação através das bicicletas que eles possuem e usam todos os dias. Revela todos os tipos de nuances sociais, de classe, históricas e culturais nunca imaginadas” (tradução livre retirada do site do Projeto).
É muito curioso notar o interesse do olhar estrangeiro pela cultura da bicicleta no continente africano. Durante o Dia Mundial Sem Carro do ano passado, a Ciclocidade exibiu o filme With My Own Two Wheels (“com minhas próprias duas rodas”) que conta histórias emocionantes de africanos que mudaram suas vidas – impactando também a comunidade ao redor – por causa do poder revolucionário e de humanização de uma bicicleta.
Por acreditar no potencial que as bicicletas têm de conectar e mudar a realidade das pessoas, o Projeto World Bicycle Relief arrecada fundos no mundo inteiro para montar e distribuir bicicletas às pessoas pobres do continente africano. Um dos exemplares dessa bike, inclusive, foi doada para a Ciclocidade e encontra-se hoje aqui em São Paulo.
“Do outro lado do Atlântico, através da arte, a bicicleta busca ser uma ferramenta de assistência e construção da independência de uma parcela menos favorecida. Essa reflexão é também necessária e está cada vez mais em curso no Brasil, a presença de um ciclista do ‘sul do planeta’ nos ajuda a repensar nossa própria realidade através de um país que tem diversas semelhanças com o Brasil” (trecho retirado do blog da Transporte Ativo em: Bicicleta, ferramenta de aproximação).


Por Aline Cavalcante, publicado no Vá de Bike em 05/07/2012./Fonte: TheFixCityBrasil

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Desinteresse dos jovens por carros preocupa montadora



Um recente artigo do The New York Times, da jornalista Amy Chozick, é mais uma prova de que os jovens mudaram. A geração entre 18 e 24 anos está se importando mais com os outros e com o mundo em que vivem, superando antigos valores e necessidades de consumo que já não os convencem e, muito menos, os satisfazem. Uma dessas mudanças importantes está no modo com que os jovens se relacionam com a mobilidade.
Há poucas décadas, o carro representava o ideal de liberdade para muitas gerações. Hoje, com ruas congestionadas, doenças respiratórias e falta de espaço para as pessoas nas cidades, os jovens se deram conta de que isso não tem nada a ver com ser livre, e passaram a valorizar meios de transporte mais limpos e acessíveis, como bicicleta, ônibus e trajetos a pé. Além do mais, “hoje Facebook, Twitter e mensagens de texto permitem que os adolescentes e jovens de 20 e poucos anos se conectem sem rodas. O preço alto da gasolina e as preocupações ambientais não ajudam em nada”, diz o artigo.
Para entender esse movimento, o texto conta que a GM, uma das principais montadoras de automóvel do mundo, pediu ajuda à MTV Scratch, braço de pesquisa e relacionamento com jovens da emissora norte-americana. A ideia é desenvolver estratégias adaptadas à realidade dos carros e focadas no público jovem para reconquistar prestígio com o pessoal de 20 e poucos anos – público que tem poder de compra calculado em 170 bilhões de dólares, segundo a empresa de pesquisa de mercado comScore.
Porém, a situação não parece ser reversível. “Em uma pesquisa realizada com 3 mil consumidores nascidos entre 1981 e 2000 – geração chamada de ‘millennials’ – a Scratch perguntou quais eram as suas 31 marcas preferidas. Nenhuma marca de carro ficou entre as top 10, ficando bem abaixo de empresas como Google e Nike”, diz o artigo. Além disso, 46% dos motoristas de 18 a 24 anos declararam que preferem acesso a Internet a ter um carro, segundo dados da agência Gartner, também citados no texto do NY Times.
O que parece é que os interesses e as preocupações mudaram e as agência de publicidade estão correndo para entendê-los e moldá-los, mais uma vez. Só que, agora, com o poder da informação na ponta dos dedos e o movimento da mudança nos próprios pés fica bem mais difícil acreditar que a nossa liberdade dependa de uma caixa metálica que desagrega e polui a nossa cidade.
Jovens brasileiros preferem transporte público de qualidade
Essa tendência de não-valorização do carro já foi apontada também pelos nossos jovens aqui no Brasil. A pesquisa O Sonho Brasileiro, produzida pela agência de pesquisa Box1824, questionou milhares de ‘millenials’ sobre sua relação com o país e o que esperavam para o futuro. As respostas, que podem ser acessadas na íntegra no site, mostram entusiasmo e vontade de transformação, especialmente, frente aos desafios sociais e urbanos como falta de educação e integração.
A problemática do transporte público se repete nos comentários dos internautas no site da pesquisa, que mantém o espaço virtual aberto para todos que quiserem deixar sua contribuição de desejo de mudança para o local em que vivem. A maioria das pessoas que opina enxerga o carro como um vilão que polui e tira espaço da cidade e acredita que a solução está em investimento em transporte público de qualidade. Esse é o desejo dos jovens brasileiros que também já mudaram e agora estão sonhando, mas de olhos bem abertos para cuidar do mundo em que vivem.
Fonte: TheCityFixBrasil/Foto: Fernando Weno

A ordem correta da passagem de marchas