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quarta-feira, 4 de junho de 2014

França inicia programa que remunera pessoas que vão de bicicleta ao trabalho

Crédito imagem: Prefeitura de Paris

O governo francês deu início nesta semana a um programa piloto para estimular a bicicleta como meio de transporte, que oferece aos trabalhadores incentivos financeiros se eles utilizarem a bicicleta para irem ao local de seus empregos.

O programa, que está em uma fase de seis meses de experimentação, oferece como bonificação um pagamento de 0,25 centavos de euro – o equivalente a 0,77 centavos de Real – para cada quilômetro rodado com a bicicleta no percurso casa-trabalho.

O esquema foi adotado por 20 companhias, que no total empregam aproximadamente 10 mil pessoas, e, além de melhorar a saúde pública, visa reduzir a poluição do ar e o consumo de combustíveis fósseis.
Frederic Cuvillier, ministro dos transportes francês, afirmou que “os custos do transporte público e dos carros já são subsidiados”, e que ele quer que a bicicleta se torne “um modal separado de transporte”. O plano tem como objetivo aumentar em 50% o uso de bicicletas, e caso mostre ter sucesso, será testado em uma escala maior.

Em outros países da Europa, há planos semelhantes em andamento, em que os trabalhadores também são pagos por quilômetro rodado com bicicleta, ou recebem incentivos fiscais ou apoio financeiro para a compra de bicicletas.

Segundo um recente estudo alemão, o uso de bicicleta pode aumentar a expectativa de vida em até 14 meses, e outras pesquisas também apontam para mais benefícios do modal, como o desenvolvimento das habilidades motoras e o abandono do sedentarismo.


sábado, 24 de novembro de 2012

Você sabe o que é um "Bike Box"?




Cidades que incluem e pensam a bicicleta integrada ao seu sistema de transporte, sabem que falar em infraestrutura necessária para garantir a segurança e conforto do ciclista urbano vai além das ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas. Entre as sinalizações presentes no viário há ainda o conhecido como “Bike Box“, um espaço destinado exclusivamente ao ciclista, para que ele se posicione à frente dos carros num semáforo.

Isso garante que, ao abrir o farol, o ciclista saia com vantagem, segurança e visibilidade sobre os veículos motorizados. Mas nem todos os usuários da bicicleta sabem para que serve um Bike Box, por isso ciclistas de Nova York produziram um videozinho bem didático explicando como utilizá-lo. Assista em inglês:



No Brasil, existem registros desse tipo de infraestrutura em algumas pouquíssimas cidades, entre elas Niterói, no Rio de Janeiro, e em Rio Branco, no Acre. A cidade fluminense começou a implementar os Bike Box há pouco tempo em algumas avenidas onde o tráfego de bicicleta é intenso.

“Os Bike Box sao muito respeitados. Os motoristas ficam intimidados com a pintura vermelha no asfalto. Estamos com o planejamento de fazer mais rotas cicláveis e onde nao for possível pintar ciclofaixas. Já estamos no bairro do Ingá, zona sul de Niterói. Fizemos uma ciclofaixa de quase um 1km e vamos iterligá-la as rotas cicláveis de outras ruas. O projeto do Ingá tem o objetivo de beneficiar não só a populacao, mas os estudantes da UFF – Universidade Federal Fluminense”, explicou Glauston Pinheiro, Chefe de Divisão de Projetos da Nittrans (Niterói, Transporte e Trânsito).

Fonte: Mobilize/Foto: Transporte Ativo

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Mobilidade Alternativa - Há mais de um jeito de ir e vir



O que a cidade de Goiânia vem colaborando para o desenvolvimento das cidades? Confira o vídeo.



Vídeo produzido por #EuQueroMelhorarGoiânia
Foto: Goiânia/GO

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

De bicicleta para o trabalho




O Transporte Ativo traz mais uma contribuição para você que deseja saber um pouco mais sobre como conciliar bicicleta e ambiente de trabalho, confira:

Foi ainda em 2008 que, juntamente com o pessoal do Mountain Bike BH, elaboramos o manual "De Bicicleta para o Trabalho". Nele estavam respondidas todas as dúvidas que empregados e empregadores sempre quiseram saber sobre como incentivar o uso da bicicleta como veículo para os deslocamentos ao trabalho.
Agora, quatro anos depois e também logo após a semana da mobilidade, lançamos a versão impressa do manual que contou com o patrocínio do Banco Itaú. Foram apenas 500 cópias dessa excelente ferramenta de promoção ao uso da bicicleta que serão "cirurgicamente" distribuídas. Lembrando que temos ainda a versão em espanhol, lançanda em 2009.

Confira a versão em PDF.

Fonte: Transporte Ativo

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Documentário 'Bicicleta, minha primeira vez' revive a descoberta da bike




Qual a primeira recordação que você tem de uma bicicleta? As respostas de sete ciclistas expostas no vídeo do cinegrafista brasileiro Wev Silva variam desde as primeiras pedaladas, no quintal da casa, até descer ladeira abaixo empurrado pelos amigos. Gravado em Paris, o documentário Bicicleta, minha primeira vez fala sobre os prazeres da descoberta da bike.

Ao longo do vídeo, os depoimentos dos ciclistas (inclusive de um brasileiro, o curitibano Eduardo Serafim) revelam histórias de infância e de como as bicicletas cumpriram papel fundamental na construção de lembranças que eles guardam até hoje.

"Eu me lembro que o meu pai segurava a bicicleta pelo banco e dizia: 'Sim, sim, eu estou te segurando’, mas na verdade não estava, ele já tinha soltado", lembra aos risos um dos entrevistados.

Em comum, os ciclistas também revelaram a sensação de liberdade que só a magrela oferece, além da autonomia e praticidade para os deslocamento urbanos, e das quedas que todos tiveram que enfrentar enquanto descobriam as segredos das bikes. “Mas a gente aprende a se levantar, aprendemos com os nossos erros, que é só ir reto. Uma vez que você consegue, não dá mais pra parar de pedalar”.

Assista ao vídeo (com legenda em português):


Fonte: EcoD

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Dinamarca investe em 'rodovias' para bicicletas



Enquanto no Brasil a gente ainda discute se as ciclovais são viáveis ou não e se as ciclofaixas contribuem para o aumento do uso da bicicleta como meio de transporte, a Dinamarca já planeja até ‘rodovias’ para bicicletas.
As chamadas Cykelsupersti são longas ciclovias que ligam as áreas mais afastadas de Copenhague ao centro da capital dinamarquesa. Segundo reportagem do New York Times, as ‘rodovias para bicicletas’ são longos caminhos pavimentados (com mais de 20 km de extensão) sem interrupções ou cruzamentos. Essas ‘rodovias’ se interligam com ciclofaixas e ciclorrotas no centro da cidade.
A primeira ‘rodovia para bicicletas’ na região de Copenhague foi inaugurada em abril, e ao menos 26 devem ser construídas nos próximos meses. A ideia é fazer com que as pessoas que moram a até 25 quilômetros do centro de Copenhague deixem o carro em casa e usem a bicicleta – em conjunto com o sistema de trens e metrô – para chegar ao centro da capital.
O foco do projeto é atingir a pessoa que mora mais afastada do centro, que geralmente usa o carro ou o transporte público para ir até a cidade. As ‘rodovias para bicicletas’ são bem parecidas com as estradas para veículos – bem asfaltadas, bem sinalizadas, bem iluminadas e sem interrupções. No total, as ‘rodovias’ cruzam 20 cidades localizadas na região de Copenhague.
“Um ciclista comum pedala cerca de 3 a 5 quilômetros para o trabalho. Nós apenas pensamos em como fazer com que as pessoas fizessem percursos mais longos”, afirmou Brian Hansen, do departamento de tráfego de Copenhague, ao The New York Times. E sabe quanto custou esse projeto todo? Segundo o site da Cykelsupersti, os 300 quilômetros espalhados em 26 ‘rodovias’ custam apenas US$ 2,12 milhões de dólares! Barato e eficaz, não?
Por Blog Eu Vou de Bike. Publicado em 27/07/2012. Fonte: TheCityFixBrasil

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Medo é o principal fator inibidor do uso da bicicleta como transporte




Foi publicada este mês uma pesquisa sobre os principais motivos que estimulam ou inibem o uso da bicicleta como meio de transporte na cidade de Porto Alegre. O público-alvo do estudo foram os alunos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Ao todo, foram 1.136 respondentes, a maioria (64%) deles com até 24 anos de idade. Entre os respondentes, 65,4% possuem ou têm acesso a bicicleta e 67,8% possuem ou têm acesso a carro ou moto.
As principais finalidades apontadas pelos estudantes que usaram a bicicleta nos últimos seis meses, estão relacionadas a Lazer/Recreação (45,9%), Meio de Transporte (45,1%) e Esporte (9%). Para eles, o principal fator que motiva o uso da “bici” é o fato de essa ser uma prática saudável. Outros fatores motivantes para o uso estão relacionados ao fato de a bicicleta ser um transporte menos poluente e mais barato que os demais, além de contribuir para um trânsito melhor.
Já entre os estudantes que afirmaram não ter usado a bicicleta nos últimos seis meses (68,8% do total de respondentes) o principal motivo para não-uso da bicicleta é o medo de acidentes, seguido pelo medo de assaltos. Outros fatores inibidores do uso também estão relacionados à falta de segurança: carência de ciclovias/ciclofaixas e de locais para estacionar as bicicletas. Uma observação interessante é que relevo e clima não foram considerados entre os principais inibidores do uso.
Para aqueles que não usam a bicicleta, os principais fatores que poderiam influenciá-los a usar são o respeito ao ciclista no trânsito e o aumento da malha cicloviária na cidade. Também foram levados em conta a melhoria da infraestrutura da cidade; como maior oferta de bicicletários/paraciclos, integração com outros modos de transporte e existência de estações de empréstimo/aluguel de bicicletas.
Para o pesquisador Luiz Augusto Ritta, além dos aspectos de infraestrutura cicloviária, a imagem percebida sobre o uso de bicicletas também tem espaço para ser trabalhada com maior intensidade na cidade  de  Porto  Alegre.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Leia: Calçadas Acessíveis


Calçadas Acessíveis

O Caminho para a Democratização dos Espaços Urbanos

A obra apresenta estudos de casos elucidativos da relação entre cidadania e espaço urbano, as Leis e as suas aplicabilidades no contexto dos municípios brasileiros e procura situar, à luz de exemplos internacionais, o cenário futuro das cidades brasileiras e, particular, de Fortaleza, se as mudanças de paradigmas quanto ao uso do meio ambiente, não forem alteradas.

No fundamental, este livro direciona o olhar múltiplo dos seus autores à pertinência e urgência de se optar por um planejamento urbano sustentável e democrático.

Como adquirir o livro?

O livro Calçadas Acessíveis é uma edição especial patrocinada pelo Banco do Nordeste do Brasil. Para obtê-lo, você pode ligar diretamente para o Instituto da Cidade no número 3253 34 41.



quinta-feira, 12 de julho de 2012

A Evolução dos Transportes



Nas ruas e avenidas da maior cidade da América Latina, a velocidade média do carro, muitas vezes, não supera a de uma carroça puxada pela força braçal. Cada vez mais caótica e congestionada, São Paulo acostuma-se a quilométricas fileiras onde sua população perde 27 dias por ano, segundo pesquisa do Movimento Nossa São Paulo.

A "Evolução" dos Transportes

Na animação "A Evolução dos Transportes", o panorama sobre a atual situação do trânsito paulistano e uma breve reflexão acerca do tema buscam compatibilizar o interesse individual com o bem-estar coletivo. "Nossa ideia é propor o debate sobre a questão do trânsito na cidade, através de uma linguagem descontraída, mas ao mesmo tempo embasada por números, pesquisas e estatísticas", explica a roteirista e organizadora do curta-metragem, Diana Sampaio.

Confira na íntegra "A Evolução dos Transportes".
(texto do André Nicolau, do Catraca Livre)



Fonte: Mobilize

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Saia na rua e olhe em volta: cadê as pessoas?


A Natália Garcia, criadora do blog Cidade para Pessoas, escreveu um artigo muito legal com o intuito de refletirmos sobre as modificações sofridas pelas cidades no decorrer dos anos. Fica a pergunta: que cidade estamos construindo?
Quando criei o Cidades para Pessoas eu dei uma série de entrevistas sobre o projeto. Uma pergunta inevitável era: o que é, afinal, uma cidade para as pessoas? Apesar de sermos, eu e você, pessoas, essa não é exatamente uma questão fácil de responder.
Todas as vezes que faço palestras e abro essa pergunta para a plateia as respostas são sempre no sentido de uma cidade “menos ruim” do que a nossa. “Uma cidade para pessoas tem menos trânsito” ou “menos poluição” costuma-se dizer.
Em outras palavras, estão afirmando que uma cidade melhor para as pessoas é uma cidade que as prejudique menos. Mas, convenhamos, isso não dá conta da complexidade do conceito.
Gosto muito de uma frase do planejador urbano dinamarquês Jan Gehl: “sabemos tudo sobre o habitat ideal de todas as espécies de mamíferos do mundo, menos do homo sapiens”. Definitivamente, não é pensar em lugares ideias para se viver que norteia o planejamento e o crescimento das cidades.
Mas se não são as pessoas, o que está no norte da administração das cidades?
Muitos teóricos tentarem responder essa pergunta. Um deles é o sociólogo francês Henri Lefebvre, autor de A Revolução Urbana onde se lê: nas cidades, a função determina a forma que, por sua vez, determina a estrutura.
Para provar essa tese, Lefebvre faz um recorte histórico das funções das cidades desde a antiguidade até hoje. Nas cidades da Grécia antiga, a função primordial era dedicar-se às artes e à filosofia. Não à toa, as cidades se organizavam em torno da Ágora, dos teatros, bibliotecas e museus.

Já na idade média, a produção artesanal de produtos e alimentos fez a Ágora perder lugar para os mercados locais.

Com a revolução industrial, as cidades passaram a se organizar em volta das indústrias (ou as indústrias determinavam a criação de novas cidades).

A produção em larga escala criou a demanda de uma exploração voraz dos recursos naturais e trabalhar nas indústrias torna-se o centro da vida nas cidades (na Inglaterra do século XIX as pessoas que não quisessem trabalhar eram queimadas a ferro e fogo).
Essa linha evolutiva nos trouxe às cidades atuais, em que a função central é trabalhar para consumir. Tanto o trabalho quanto o consumo se dão em áreas privadas (em geral distantes umas das outras), então se locomover é uma sub-função dessas principais. E como a malha de transportes nas cidades brasileiras é destinada principalmente aos carros, o que acaba acontecendo é que pessoas se locomovem entre lugares familiares (casa, trabalho, shopping) protegidas do encontro com gente diferente delas. As cidades se tornam enormes superfícies de passagem. Hoje nossas cidades têm essa cara:

Qual a grande diferença entre essa e as fotos anteriores?
Repare: não há pessoas nas ruas. Para existirem, para cumprirem a função de trabalhar para consumir, as cidades atuais não precisam de gente circulando nas ruas. Só que, quanto menos gente nos espaços públicos, pior eles ficam (e menor a demanda para melhorá-los).
E aí, chegamos ao paradigma digno de propaganda de bolacha: os espaços públicos pioram porque não há pessoas e não há pessoas porque os espaços públicos são ruins.
A única forma de começar a inverter esse jogo é – adivinhe – atravessar a grade e voltar à rua. É mais fácil, divertido e seguro do que possa parecer.



quinta-feira, 21 de junho de 2012

Respeite 1,5m






"Respeitar o ciclista faz bem e está na lei.
Mantenha a distância de 1,5m do ciclista e deixe o trânsito mais seguro.
Respeito ao ciclista. Compartilhe essa ideia." by Kiwi Filmes

Fonte: Mobilize

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Iniciativas convencem europeus e americanos a trocarem o carro pela bicicleta


Veja as ideias que tiveram benefícios para ciclistas e motoristas:
AMSTERDÃ: ESTACIONAMENTO À VONTADE


HIPERGARAGEM: Estação central de trem de Amsterdã, com 10 mil vagas para bicicleta
A Holanda é o país ocidental que mais usa a bicicleta no dia a dia. Uma das explicações para essa popularidade é a integração promovida, desde a década de 1970, entre o uso de bikes e o de transporte público. Cerca de 40% dos usuários de trem vão até as estações pedalando, pegam o trem, desembarcam e pedalam de novo até o trabalho. Estima-se que em 2020 metade dos passageiros faça o mesmo. Para isso, haja estacionamento. Os arredores da estação central de Amsterdã têm garagens com cerca de 10 mil vagas. Na principal, a Fietsflat, cabem 2.500. Tudo é dividido em seções, linhas e 3 andares. Afinal, na volta do trabalho é preciso encontrar a bike, certo?
POLÍTICAS E RESULTADOS
• Desde os anos 70, a cidade reduz vagas e aumenta o preço de estacionamento para carros no centro
• Viagens de bike eram 25% do total em 1970. Em 2005, 37%
• 77% dos cidadãos com mais de 20 anos têm ao menos uma bicicleta, e metade pedala diariamente
• Acidentes com ciclistas diminuíram em 40% entre as décadas de 1980 e de 2000

PORTLAND: SEGURANÇA NO CRUZAMENTO



PRIORIDADE: Espaço para bikes nos cruzamentos de Portland reduziu acidentes em 31%
Em 2008, dois ciclistas morreram em Portland, nos EUA, atropelados na ciclofaixa por um carro que virava à direita. Cerca de 70% dos acidentes de bike na cidade acontecem em cruzamentos. Por causa disso, a cidade, campeã do pedal no país dos carros, criou 14 bike boxes iguais aos da foto. Ao sinal vermelho, os motoristas param atrás da área verde, exclusiva de bikes, ou ganham multa de US$ 242 (como o carro preto da foto). Em dois anos, a presença de ciclistas nesses cruzamentos subiu 32%, e o índice de conflitos com motoristas caiu 31%.
POLÍTICAS E RESULTADOS
• Cidade tem projetos de incentivo ao uso de bicicletas detalhados até 2030
• 80% das crianças na escola recebem educação sobre segurança para pedalar
• Construiu 200 km de ciclovias entre 1996 e 2006. Hoje, são 466 km
• Uso de bikes para ir ao trabalho dobrou entre 1990 e 2000

COPENHAGUE: SINALIZAÇÃO ESPECIAL



TUDO AZUL | Em Copenhagen, azul chama a atenção para rota dos ciclistas
Uma marca registrada dos cruzamentos de Copenhague, capital da Dinamarca, são as faixas azuis usadas para demarcar a rota de quem pedala. Mesmo com ciclovias e ciclofaixas à vontade, não há como evitar o encontro de carros e bicicletas nesses trechos. Então, a cidade usa a cor vibrante para chamar a atenção de motoristas para os ciclistas e evitar acidentes. Outra medida de segurança usada nos cruzamentos é dar sinal verde para os ciclistas antes — outro modo de priorizar os ciclistas, em relação aos automóveis.
POLÍTICAS E RESULTADOS
• Um terço do orçamento municipal de transportes é voltado para o ciclismo
• De 1995 a 2006, a quilometragem pedalada subiu 44% e os acidentes graves caíram 60%
• 20% do total de viagens são feitas de bike. No dia a dia para o trabalho, elas são 32%
• Uso de bikes entre pessoas com mais de 40 anos aumentou de 25% para 38% entre 1998 e 2005

ODENSE: CAMPANHAS PRÓ-BIKE



MOCHILA E CAPACETE | Campanhas incentivam crianças de Odense a ir pedalando para a escola
A experiência de países europeus mostra que campanhas de incentivo ao uso de bicicletas são parte fundamental das políticas de estímulo às pedaladas. Na Dinamarca, por exemplo, a ONG Federação dos Ciclistas criou uma gincana nacional, que acontece uma vez por ano durante duas semanas, para incentivar crianças a irem de bicicleta para a escola, distribuindo prêmios para as que têm mais alunos pedalando. Em Odense, 26% do total de viagens são feitas de bicicleta. Entre os alunos do ensino fundamental, esse índice sobe para 43%.
POLÍTICAS E RESULTADOS
• Não é possível atravessar o centro de carro. Nas adjacências, estacionar automóveis é caro, bicicletas, grátis
• A cidade subsidia equipamentos de segurança e distribui frutas e doces para ciclistas
• De 1984 a 2002, o uso de bikes na cidade cresceu 80%
• Elas são usadas em um quarto do total de viagens

BERLIM: ALUGUEL SIMPLES E BARATO



CALL A BIKE | Aluguel quintuplicou em Berlim, com sistema moderno nas estações
Sistemas de compartilhamento de bicicletas — que permitem alugá-las num ponto para deixá-las em outro — são mais uma ferramenta importante para popularizar as pedaladas como transporte urbano. A cidade de Berlim, uma das metrópoles que mais investe em bikes no mundo, tem uma das versões mais modernas desse sistema. A Deutsche Bahn, empresa de trens alemã, instalou 3.000 magrelas como as da foto nas estações da capital. O cidadão desbloqueia a bike por celular e paga com cartão de crédito. Para complementar, dá para planejar a rota por ciclovias, no celular, com dados sobre conexões com transportes, velocidade média e tempo de viagem.
POLÍTICAS E RESULTADOS
• Em 72% das ruas da cidade a velocidade máxima é de 30 km/h
• Verbas para incentivar uso de bikes aumentaram 4 vezes de 2000 a 2009
• Viagens de bicicleta subiram de 7% para 10% do total entre 1992 e 1998
• Acidentes fatais com ciclistas caíram 30% entre 1998 e 2004

Artigo: Tarso Araújo/ Fonte: TheFixCityBrasil



quarta-feira, 30 de maio de 2012

'Todo mundo pedalando'



A edição de maio da Revista Gol traz uma matéria super bike-friendly! Com o título “Todo mundo pedalando”, a reportagem da jornalista Ana Carolina Monteiro apresenta a história de algumas pessoas que trocaram o carro pela bicicleta em grandes cidades como São Paulo e Rio de Janeiro e agora sentem os benefícios em qualidade de vida e economia.
O casal de educadores ambientais Evelyn Araripe e João Paulo Amaral, por exemplo, se conheceram em uma Bicicletada em São Paulo e só usam a bike, até mesmo para sair à noite. “Você percebe que a bicicleta está sendo reconhecida como meio de transporte quando um flanelinha pede para tomar conta da bike na frente de uma pizzaria”, conta Evelyn que hoje é responsável pelo Pedalinas, coletivo feminino de ciclistas de São Paulo.
Além dos depoimentos dos bikers, algumas boas ações são apresentadas na matéria, como os sistemas de aluguel de bicicletas públicas Bike Rio e Bike Sampa e o serviço de ajuda para os iniciantes, o Bike Anjo. Além disso, conta sobre a empresa Ciclomídia, que trabalha para transformar estabelecimentos em ambientes cicloamigáveis e que criou o inovador “bike valet”, serviço de manobrista para bikes, lançado na última Bienal de Arquitetura.
A edição da Revista Gol ainda traz um resumo sobre a situação da rede cicloviária de algumas importantes cidades brasileiras (abaixo). O texto lembra dos espaços próprios para as magrelas nos municípios, como o “Estação Bicicletas”, estacionamento para bikes que a Prefeitura de Porto Alegre instalou, no Mercado Público, com o auxílio técnico da EMBARQ Brasil
Fonte: TheCityFixBrasilFoto: Mariana Gil / EMBARQ Brasil

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Ciclistas permitem economia de US$ 4,6 bi nos EUA


Atualmente 12% das viagens feitas diariamente em território norte-americano são feitas a partir do uso das bicicletas. l Foto: DOT NY

Além de todos os benefícios ambientais e à saúde que as bicicletas podem proporcionar, o uso deste meio de transporte também pode permitir uma economia financeira bastante respeitável. Segundo estudo publicado no Sierra Club, os Estados Unidos chegam a economizar US$ 4,6 bilhões por ano, graças aos ciclistas.
O relatório foi feito com a cooperação da Liga Americana de Ciclistas e do Conselho Nacional La Raza. De acordo com o documento, a economia financeira está ligada principalmente aos gastos com combustível e transporte.
Atualmente 12% das viagens feitas diariamente em território norte-americano são feitas a partir do uso das bicicletas. No entanto, isso não é suficiente para garantir incentivos financeiros governamentais. Segundo a publicação, apenas 1,6% dos gastos federais com transportes é destinado à melhoria da estrutura ciclovirária nos EUA.
Os custos médios para manter um automóvel de porte médio giram em torno de US$ 8220 por ano, enquanto uma bicicleta tem custo operacional de US$ 308. A economia já seria sentida se todos os norte-americanos trocassem os carros pelas bicicletas por pelo menos um dia na semana, para percorrer trajetos de 800 metros. Essa pequena mudança se refletiria em redução no uso de dois bilhões de galões de combustível e até US$ 7,3 bilhões por ano.
A pesquisa mostra que a preferência pelas bikes tem aumentado nos EUA. Entre 2000 e 2010 o número de pessoas que optaram pela bicicleta como meio de transporte cresceu 40%, em nível nacional. Em algumas comunidades o aumento chegou a 77%.
O grupo que une as três instituições ainda levantou outros dados importantes, para cobrar maior incentivo governamental. Um dos exemplos é o fato de que 33% dos norte-americanos não conduzem carros constantemente. Além disso, famílias de baixa renda chegam a gastar 55% do orçamento doméstico somente com transporte e esta situação poderia ser diferente se todos tivessem a oportunidade de trafegar de bicicleta com segurança pelas ruas de todo o país.
Fonte: CicloVivo

O caminho é coletivo




O brasileiro, diz a publicidade, é “apaixonado por carro”. Para confirmar a tese, o país tem hoje uma frota de 40 milhões de automóveis, segundo dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), um crescimento de 78% em dez anos. A consequência dessa paixão não é das mais românticas: trânsito. A epidemia afeta todas as grandes cidades.

Em São Paulo, foco maior do problema, com mais de 5 milhões de automóveis, os recordes de congestionamento são batidos cotidianamente. Resultado de uma opção – política – pelo transporte individual.

No meio do congestionamento de ideias requentadas, um sinal verde pode ter se aberto com a entrada em vigor, em abril, da nova Política Nacional de Mobilidade Urbana (PNMU). A Lei nº 12.587 estabelece diretrizes para as políticas de mobilidade de estados e municípios, além de fornecer novas ferramentas para a sociedade civil cobrar dos governantes. O texto também esclarece os direitos dos usuários, como ser informado sobre itinerários, horários e tarifas dos serviços nos pontos de embarque e desembarque.

A maioria dos dispositivos não é obrigatória para os municípios – responsáveis pelas políticas urbanas de transporte, de acordo com a Constituição. São antes limites e diretrizes para balizar a ação das prefeituras, mas passam também a ser considerados para a liberação de recursos federais. A lei, no entanto, não define um fundo específico para o tema.

“A sociedade tem um papel importante de divulgar e aprender a fazer uso dessa lei para contestar medidas do poder público que contrariem as diretrizes, questionar contratos. Isso vai depender muito dessa ação política da sociedade civil, do Ministério Público e de gestores mais ousados”, avalia Alexandre de Ávila Gomide, titular da Diretoria de Estudos e Políticas do Estado, das Instituições e da Democracia (Diest), do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). “É como uma caixa de ferramentas, que muita gente tem em casa e não aprende a usar. Mas com certeza no médio prazo a lei vai apresentar resultados.”

Algumas medidas têm caráter impositivo, como a determinação de que todos os municípios acima de 20 mil habitantes elaborem seu plano de mobilidade – com a exigência explícita de participação popular e articulação com o Plano Diretor, previsto pelo Estatuto das Cidades para municípios do mesmo porte. “A mobilidade é um dos principais estruturadores, se não o principal, do Plano Diretor. Se não tiver uma conversa bem atrelada, um pode dificultar a implementação do outro. Se você planeja o adensamento de uma área da cidade que não tem transporte coletivo, privilegia alguma classe social”, afirma Ricardo Correa, urbanista e sócio da TC Urbes, empresa de consultoria em mobilidade sustentável.

Aracajú - Sergipe

Aracaju, capital de Sergipe, já iniciou as discussões para a criação de seu Plano Diretor de Mobilidade Urbana. A intenção da administração municipal é construir um amplo processo de participação da população e da sociedade civil organizada. Foram realizados seminários e reuniões com líderes comunitários, organizações não governamentais e outros atores sociais para apresentar as premissas do plano e receber críticas e propostas. Também foi aberta uma consulta pública on-line para que os cidadãos possam contribuir e uma série de audiências públicas está sendo realizada pelos bairros.

“A intenção é que o plano seja construído de acordo com os anseios da população, levando em conta o zonea­mento da cidade, as áreas em expansão, os pontos de tráfego”, diz Raquel Passo, assessora da Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito. “As informações trazidas pelos moradores serão analisadas e associadas com as informações mais técnicas.”

Para Mário Reali, prefeito de Diadema e presidente do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, na região metropolitana de São Paulo, a PNMU chega num momento oportuno. “A política está em discussão. Embora tenha sido aprovada agora, traz conceitos trabalhados há tempos na área da mobilidade sustentável que são fundamentais para a garantia da melhoria da qualidade de vida, ambiental e social”, afirma. “Esses conceitos já foram abordados no Planejamento Regional Estratégico e estão sendo considerados para a elaboração do Plano de Mobilidade Regional, atualmente em processo de contratação.” Uma das medidas em estudo é a implementação de rodízio de veículos, a exemplo da capital.

Prioridade

Entre os princípios básicos da lei, está a prioridade para o transporte público, coletivo e não motorizado, em detrimento do transporte individual e motorizado – leia-se automóvel. A intenção é tirar carros da rua, seja por meio de incentivos ao transporte coletivo, seja por “desincentivos” ao individual, caso do rodízio adotado em São Paulo e mesmo do pedágio urbano – prática comum no exterior –, regulamentado pela nova lei e opção a partir de agora para as prefeituras.

A conta é simples, como demonstram dados de Horácio Augusto Figueira, consultor em engenharia de tráfego e de transportes e vice-presidente da Associação Brasileira de Pedestres. Um ônibus convencional transporta 35 pessoas sentadas e ocupa 15 metros de uma faixa de tráfego. Considerando a média de 1,4 pessoa por automóvel – 70% dos carros levam apenas o condutor –, são necessários 25 carros para atender ao mesmo contingente. E, com seis metros cada um, em média, ocupam 150 metros de faixa, dez vezes mais do que um ônibus.

A questão é promover uma distribuição mais igual dos espaços. “Hoje 20% das pessoas que se deslocam nas cidades usam quase 80% do espaço viário, enquanto o transporte coletivo e o não motorizado, que beneficiam a maioria, ficam com apenas 20%”, diz Alexandre Gomide, do Ipea.

Daí a necessidade de investir em transporte público. Mas o prefeito da capital paulista parece discordar. Hoje, a cidade conta com 126 quilômetros de corredores exclusivos para ônibus, 67 construídos na gestão da ex-prefeita Marta Suplicy. O atual, Gilberto Kassab, estabeleceu em sua eleição a meta de entregar 66 quilômetros de novos corredores. Até agora, nada foi feito. Em março, Kassab resolveu correr atrás do prejuízo e anunciou licitação estimada em R$ 2 bilhões para obras de transporte, incluindo quatro novos corredores (39 quilômetros, ainda abaixo da promessa), que não serão terminadas em seu mandato.

A estagnação também se mostra nas obras do metrô. A cidade de São Paulo, por exemplo, mesmo com os investimentos recentes, conta com apenas 74,3 quilômetros de linhas – menos que Buenos Aires, na Argentina (75 quilômetros) e Santiago do Chile (94,9) e pouco mais de um terço do total da Cidade do México (201,4). O Rio de Janeiro, com seus 34,9 quilômetros construídos, perde ainda para Caracas, na Venezuela (42,7). Os projetos, no entanto, começaram a ser implementados em período semelhante em todas as cidades, entre 1969 (Cidade do México) e 1979 (Rio de Janeiro) – a exceção é Buenos Aires, o mais antigo, de 1913. O resultado do descaso é o título conquistado pela Linha 3-Vermelha, que atende a zona leste de São Paulo: a mais lotada do mundo. São cerca de 1,4 milhão de passageiros por dia.

Em lugar de transporte coletivo, a resposta usual dos governos tem sido outra: construir mais ruas. O exemplo novamente vem da capital paulista, onde, em abril de 2010, o governo do estado inaugurou o trecho sul do Rodoanel e a ampliação da Marginal do Tietê, com custos de, respectivamente, R$ 1,3 bilhão e R$ 5,03 bilhões. No momento da inauguração, estimativas do Executivo estadual previam redução de até 12% nos índices de congestionamento da cidade. Não durou: um ano depois, a média no pico da manhã já alcançava 104 quilômetros de lentidão, 18% maior do que antes das obras.

As comparações tornam mais difícil entender a opção. O dinheiro gasto nas duas obras de efetividade duvidosa supera o custo total da Linha 4-Amarela do metrô, com 12 quilômetros de extensão, de cerca R$ 5,4 bilhões. Montante suficiente para a construção de 168 quilômetros de corredores de ônibus.

Um projeto anterior à PNMU, mas de linha semelhante, está em curso no Rio, uma das sedes da Copa do Mundo de 2014 e palco da Olimpíada de 2016. Todo o sistema de transporte coletivo está sendo reorganizado com a criação de um Anel de Transporte de Alta Performance, que ampliará o índice de cobertura de transporte de alta capacidade dos atuais 18% para 63% da população até 2016. O projeto inclui a criação de quatro corredores de BRT (Bus Rapid Transit), modelo semelhante ao adotado em Curitiba.

Serão 151 quilômetros de vias exclusivas e separadas fisicamente das demais pistas. As obras podem ajudar a jornalista Andresa Feijó, que mora do bairro de Vargem Pequena, na zona oeste do Rio (1.932.066 automóveis em fevereiro). Ela trabalha no centro, no bairro de Fátima, e leva em média 2 horas e 40 minutos para chegar ao trabalho. “Mas tudo depende. Tem dias em que consigo fazer em menos tempo e outros em que não consigo chegar na hora, e isso não depende só do horário em que saio”, diz. Vargem Pequena sofre há anos com a questão do transporte. Somente uma viação faz o trajeto e as condições são complicadas. “Eles fazem o que querem, colocam ônibus a cada meia hora, atrasam.”

Ao chegar à estação Del Castilho do metrô, o problema é a superlotação. “Às vezes deixo passar uns três carros antes de entrar no vagão. As pessoas saem socando, se estapeando, é uma cena horrorosa”, conta. “São os 20 minutos mais longos do meu dia. O ar-condicionado diversas vezes não funciona, fica todo mundo suado, estressado, mal consigo pôr os pés no chão de tão cheio.” O cenário não melhora até o desembarque, na estação Central, de onde caminha 20 minutos até o trabalho.

Andresa está pagando o consórcio de um carro, mas tem dúvidas se isso resolverá o problema. “Não sei se pegar aquele trânsito me beneficiaria em termos psicológicos. No ônibus, ouço música, estudo, durmo. Num carro, não tem jeito.”

“O que está por trás da nova lei é a reconquista da rua. Hoje temos uma rua monofuncional do automóvel, de preferência o modelo ‘tanque de guerra’ preferido pela classe média egoísta”, critica o urbanista Alexandre Delijaicov, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP. “Os trajetos a pé não são insignificantes no Brasil nas pesquisas de origem-destino. 

É preciso requalificar as calçadas, com uma arquitetura que atraia a se sentar, permanecer no espaço público. Os municípios precisam remodelar as calçadas, com piso antiderrapante, guia rebaixada, mobiliário urbano adequado, como bancos com encosto”, sustenta.

Para ele, a lei vai na contramão de um “urbanismo rodoviarista, capitalista, submetido ao mercado” ao incluir os trajetos a pé e com veículos não motorizados, como a bicicleta, nas discussões a respeito de mobilidade. Exemplo de suas próprias ideias, gasta, há 14 anos, 30 minutos de bicicleta de sua casa, no Itaim Bibi, até a USP, onde leciona. “É outra relação com a cidade. Você passa a perceber outras coisas, fala com as pessoas. É outra maneira de cordialidade, troca de olhar. Você é envolvido pela cidade, é um acolhimento, um recinto urbano. A rua passa a ter dimensão equivalente à sala de estar sem teto”, diz.

Diferenças

O urbanista Ricardo Correa afirma que as limitações são reflexos das diferenças sociais e ajudam a perpetuá-las. Segundo ele, na situação atual, quem utiliza carro faz em média quatro ou cinco viagens por dia. Já quem usa o transporte público faz em média 1,5 viagem. “Quem tem carro tem mais acesso à cidade. Leva o filho na escola, faz cursos, desfruta de lazer. Ou seja, tem maior possibilidade de usar os recursos da cidade, públicos ou privados”, diz. “Com uma mobilidade mais democrática, a longo e médio prazo aumenta a possibilidade de qualquer camada social gastar menos tempo se deslocando e ter igualdade no acesso à cidade.”

Cicloativista, ele vê no reconhecimento da bicicleta e de outros veículos não motorizados um dos avanços da lei. “Esses meios favorecem o adensamento urbano. Com isso, além do impacto no cotidiano das pessoas, você impacta os cofres públicos. Uma cidade mais densa significa que as redes públicas – escolas, hospitais, água tratada, esgoto – podem ser menores. Mesmo a rede de transporte coletivo.”

Um exemplo de engajamento governamental no apoio ao transporte não motorizado vem de Rio Branco, capital do Acre. Com 350 mil habitantes, a cidade tem uma rede de mais de 100 quilômetros de ciclovias distribuídas em todo o território e integradas com o transporte público, configurando a maior rede cicloviária per capita do país. A pedido da prefeitura, a TC Urbes, de Ricardo Correa, projetou a requalificação dos quilômetros de ciclovias existentes e as diretrizes dos quilômetros restantes para complementar uma rede de 160 quilômetros, objetivo do Plano de Mobilidade da cidade.

O projeto prevê a criação de bicicletários em prédios públicos e outras facilidades para os ciclistas. “Eles querem se tornar modelo para a região amazônica, mas acho que serão modelo para o mundo. Há vias na cidade que têm mais ciclistas que motos e em número quase igual ao de carros. Na Avenida Chico Mendes, por exemplo, passam cerca de 500 ciclistas em horário de pico; no dia inteiro na Avenida Paulista, em São Paulo, 300, em média”, diz.

Ricardo acredita que a PNMU traz a possibilidade de buscar um modelo nacional de mobilidade. “Podemos mudar realmente as cidades. É um processo difícil, mas temos um amadurecimento da sociedade civil, que está se organizando. A nova lei é fruto dessa organização. Agora, há um instrumento mais claro para fazer pressão sobre o poder público”, afirma.
Autor: Nicolau Soares/Foto: Ivone Perez/Fonte: Revista do Brasil

sexta-feira, 25 de maio de 2012

A bicicleta e as cidades



O Instituto de Energia e Meio Ambiente faz uma importante contribuição na área de mobilidade urbana abordando o assunto da inserção da bicicleta na cidade através de sua publicação: A bicicleta e as cidades.


Leia abaixo:

A ordem correta da passagem de marchas