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quinta-feira, 27 de setembro de 2012

De bicicleta para o trabalho




O Transporte Ativo traz mais uma contribuição para você que deseja saber um pouco mais sobre como conciliar bicicleta e ambiente de trabalho, confira:

Foi ainda em 2008 que, juntamente com o pessoal do Mountain Bike BH, elaboramos o manual "De Bicicleta para o Trabalho". Nele estavam respondidas todas as dúvidas que empregados e empregadores sempre quiseram saber sobre como incentivar o uso da bicicleta como veículo para os deslocamentos ao trabalho.
Agora, quatro anos depois e também logo após a semana da mobilidade, lançamos a versão impressa do manual que contou com o patrocínio do Banco Itaú. Foram apenas 500 cópias dessa excelente ferramenta de promoção ao uso da bicicleta que serão "cirurgicamente" distribuídas. Lembrando que temos ainda a versão em espanhol, lançanda em 2009.

Confira a versão em PDF.

Fonte: Transporte Ativo

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Dinamarca investe em 'rodovias' para bicicletas



Enquanto no Brasil a gente ainda discute se as ciclovais são viáveis ou não e se as ciclofaixas contribuem para o aumento do uso da bicicleta como meio de transporte, a Dinamarca já planeja até ‘rodovias’ para bicicletas.
As chamadas Cykelsupersti são longas ciclovias que ligam as áreas mais afastadas de Copenhague ao centro da capital dinamarquesa. Segundo reportagem do New York Times, as ‘rodovias para bicicletas’ são longos caminhos pavimentados (com mais de 20 km de extensão) sem interrupções ou cruzamentos. Essas ‘rodovias’ se interligam com ciclofaixas e ciclorrotas no centro da cidade.
A primeira ‘rodovia para bicicletas’ na região de Copenhague foi inaugurada em abril, e ao menos 26 devem ser construídas nos próximos meses. A ideia é fazer com que as pessoas que moram a até 25 quilômetros do centro de Copenhague deixem o carro em casa e usem a bicicleta – em conjunto com o sistema de trens e metrô – para chegar ao centro da capital.
O foco do projeto é atingir a pessoa que mora mais afastada do centro, que geralmente usa o carro ou o transporte público para ir até a cidade. As ‘rodovias para bicicletas’ são bem parecidas com as estradas para veículos – bem asfaltadas, bem sinalizadas, bem iluminadas e sem interrupções. No total, as ‘rodovias’ cruzam 20 cidades localizadas na região de Copenhague.
“Um ciclista comum pedala cerca de 3 a 5 quilômetros para o trabalho. Nós apenas pensamos em como fazer com que as pessoas fizessem percursos mais longos”, afirmou Brian Hansen, do departamento de tráfego de Copenhague, ao The New York Times. E sabe quanto custou esse projeto todo? Segundo o site da Cykelsupersti, os 300 quilômetros espalhados em 26 ‘rodovias’ custam apenas US$ 2,12 milhões de dólares! Barato e eficaz, não?
Por Blog Eu Vou de Bike. Publicado em 27/07/2012. Fonte: TheCityFixBrasil

segunda-feira, 28 de maio de 2012

O caminho é coletivo




O brasileiro, diz a publicidade, é “apaixonado por carro”. Para confirmar a tese, o país tem hoje uma frota de 40 milhões de automóveis, segundo dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), um crescimento de 78% em dez anos. A consequência dessa paixão não é das mais românticas: trânsito. A epidemia afeta todas as grandes cidades.

Em São Paulo, foco maior do problema, com mais de 5 milhões de automóveis, os recordes de congestionamento são batidos cotidianamente. Resultado de uma opção – política – pelo transporte individual.

No meio do congestionamento de ideias requentadas, um sinal verde pode ter se aberto com a entrada em vigor, em abril, da nova Política Nacional de Mobilidade Urbana (PNMU). A Lei nº 12.587 estabelece diretrizes para as políticas de mobilidade de estados e municípios, além de fornecer novas ferramentas para a sociedade civil cobrar dos governantes. O texto também esclarece os direitos dos usuários, como ser informado sobre itinerários, horários e tarifas dos serviços nos pontos de embarque e desembarque.

A maioria dos dispositivos não é obrigatória para os municípios – responsáveis pelas políticas urbanas de transporte, de acordo com a Constituição. São antes limites e diretrizes para balizar a ação das prefeituras, mas passam também a ser considerados para a liberação de recursos federais. A lei, no entanto, não define um fundo específico para o tema.

“A sociedade tem um papel importante de divulgar e aprender a fazer uso dessa lei para contestar medidas do poder público que contrariem as diretrizes, questionar contratos. Isso vai depender muito dessa ação política da sociedade civil, do Ministério Público e de gestores mais ousados”, avalia Alexandre de Ávila Gomide, titular da Diretoria de Estudos e Políticas do Estado, das Instituições e da Democracia (Diest), do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). “É como uma caixa de ferramentas, que muita gente tem em casa e não aprende a usar. Mas com certeza no médio prazo a lei vai apresentar resultados.”

Algumas medidas têm caráter impositivo, como a determinação de que todos os municípios acima de 20 mil habitantes elaborem seu plano de mobilidade – com a exigência explícita de participação popular e articulação com o Plano Diretor, previsto pelo Estatuto das Cidades para municípios do mesmo porte. “A mobilidade é um dos principais estruturadores, se não o principal, do Plano Diretor. Se não tiver uma conversa bem atrelada, um pode dificultar a implementação do outro. Se você planeja o adensamento de uma área da cidade que não tem transporte coletivo, privilegia alguma classe social”, afirma Ricardo Correa, urbanista e sócio da TC Urbes, empresa de consultoria em mobilidade sustentável.

Aracajú - Sergipe

Aracaju, capital de Sergipe, já iniciou as discussões para a criação de seu Plano Diretor de Mobilidade Urbana. A intenção da administração municipal é construir um amplo processo de participação da população e da sociedade civil organizada. Foram realizados seminários e reuniões com líderes comunitários, organizações não governamentais e outros atores sociais para apresentar as premissas do plano e receber críticas e propostas. Também foi aberta uma consulta pública on-line para que os cidadãos possam contribuir e uma série de audiências públicas está sendo realizada pelos bairros.

“A intenção é que o plano seja construído de acordo com os anseios da população, levando em conta o zonea­mento da cidade, as áreas em expansão, os pontos de tráfego”, diz Raquel Passo, assessora da Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito. “As informações trazidas pelos moradores serão analisadas e associadas com as informações mais técnicas.”

Para Mário Reali, prefeito de Diadema e presidente do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, na região metropolitana de São Paulo, a PNMU chega num momento oportuno. “A política está em discussão. Embora tenha sido aprovada agora, traz conceitos trabalhados há tempos na área da mobilidade sustentável que são fundamentais para a garantia da melhoria da qualidade de vida, ambiental e social”, afirma. “Esses conceitos já foram abordados no Planejamento Regional Estratégico e estão sendo considerados para a elaboração do Plano de Mobilidade Regional, atualmente em processo de contratação.” Uma das medidas em estudo é a implementação de rodízio de veículos, a exemplo da capital.

Prioridade

Entre os princípios básicos da lei, está a prioridade para o transporte público, coletivo e não motorizado, em detrimento do transporte individual e motorizado – leia-se automóvel. A intenção é tirar carros da rua, seja por meio de incentivos ao transporte coletivo, seja por “desincentivos” ao individual, caso do rodízio adotado em São Paulo e mesmo do pedágio urbano – prática comum no exterior –, regulamentado pela nova lei e opção a partir de agora para as prefeituras.

A conta é simples, como demonstram dados de Horácio Augusto Figueira, consultor em engenharia de tráfego e de transportes e vice-presidente da Associação Brasileira de Pedestres. Um ônibus convencional transporta 35 pessoas sentadas e ocupa 15 metros de uma faixa de tráfego. Considerando a média de 1,4 pessoa por automóvel – 70% dos carros levam apenas o condutor –, são necessários 25 carros para atender ao mesmo contingente. E, com seis metros cada um, em média, ocupam 150 metros de faixa, dez vezes mais do que um ônibus.

A questão é promover uma distribuição mais igual dos espaços. “Hoje 20% das pessoas que se deslocam nas cidades usam quase 80% do espaço viário, enquanto o transporte coletivo e o não motorizado, que beneficiam a maioria, ficam com apenas 20%”, diz Alexandre Gomide, do Ipea.

Daí a necessidade de investir em transporte público. Mas o prefeito da capital paulista parece discordar. Hoje, a cidade conta com 126 quilômetros de corredores exclusivos para ônibus, 67 construídos na gestão da ex-prefeita Marta Suplicy. O atual, Gilberto Kassab, estabeleceu em sua eleição a meta de entregar 66 quilômetros de novos corredores. Até agora, nada foi feito. Em março, Kassab resolveu correr atrás do prejuízo e anunciou licitação estimada em R$ 2 bilhões para obras de transporte, incluindo quatro novos corredores (39 quilômetros, ainda abaixo da promessa), que não serão terminadas em seu mandato.

A estagnação também se mostra nas obras do metrô. A cidade de São Paulo, por exemplo, mesmo com os investimentos recentes, conta com apenas 74,3 quilômetros de linhas – menos que Buenos Aires, na Argentina (75 quilômetros) e Santiago do Chile (94,9) e pouco mais de um terço do total da Cidade do México (201,4). O Rio de Janeiro, com seus 34,9 quilômetros construídos, perde ainda para Caracas, na Venezuela (42,7). Os projetos, no entanto, começaram a ser implementados em período semelhante em todas as cidades, entre 1969 (Cidade do México) e 1979 (Rio de Janeiro) – a exceção é Buenos Aires, o mais antigo, de 1913. O resultado do descaso é o título conquistado pela Linha 3-Vermelha, que atende a zona leste de São Paulo: a mais lotada do mundo. São cerca de 1,4 milhão de passageiros por dia.

Em lugar de transporte coletivo, a resposta usual dos governos tem sido outra: construir mais ruas. O exemplo novamente vem da capital paulista, onde, em abril de 2010, o governo do estado inaugurou o trecho sul do Rodoanel e a ampliação da Marginal do Tietê, com custos de, respectivamente, R$ 1,3 bilhão e R$ 5,03 bilhões. No momento da inauguração, estimativas do Executivo estadual previam redução de até 12% nos índices de congestionamento da cidade. Não durou: um ano depois, a média no pico da manhã já alcançava 104 quilômetros de lentidão, 18% maior do que antes das obras.

As comparações tornam mais difícil entender a opção. O dinheiro gasto nas duas obras de efetividade duvidosa supera o custo total da Linha 4-Amarela do metrô, com 12 quilômetros de extensão, de cerca R$ 5,4 bilhões. Montante suficiente para a construção de 168 quilômetros de corredores de ônibus.

Um projeto anterior à PNMU, mas de linha semelhante, está em curso no Rio, uma das sedes da Copa do Mundo de 2014 e palco da Olimpíada de 2016. Todo o sistema de transporte coletivo está sendo reorganizado com a criação de um Anel de Transporte de Alta Performance, que ampliará o índice de cobertura de transporte de alta capacidade dos atuais 18% para 63% da população até 2016. O projeto inclui a criação de quatro corredores de BRT (Bus Rapid Transit), modelo semelhante ao adotado em Curitiba.

Serão 151 quilômetros de vias exclusivas e separadas fisicamente das demais pistas. As obras podem ajudar a jornalista Andresa Feijó, que mora do bairro de Vargem Pequena, na zona oeste do Rio (1.932.066 automóveis em fevereiro). Ela trabalha no centro, no bairro de Fátima, e leva em média 2 horas e 40 minutos para chegar ao trabalho. “Mas tudo depende. Tem dias em que consigo fazer em menos tempo e outros em que não consigo chegar na hora, e isso não depende só do horário em que saio”, diz. Vargem Pequena sofre há anos com a questão do transporte. Somente uma viação faz o trajeto e as condições são complicadas. “Eles fazem o que querem, colocam ônibus a cada meia hora, atrasam.”

Ao chegar à estação Del Castilho do metrô, o problema é a superlotação. “Às vezes deixo passar uns três carros antes de entrar no vagão. As pessoas saem socando, se estapeando, é uma cena horrorosa”, conta. “São os 20 minutos mais longos do meu dia. O ar-condicionado diversas vezes não funciona, fica todo mundo suado, estressado, mal consigo pôr os pés no chão de tão cheio.” O cenário não melhora até o desembarque, na estação Central, de onde caminha 20 minutos até o trabalho.

Andresa está pagando o consórcio de um carro, mas tem dúvidas se isso resolverá o problema. “Não sei se pegar aquele trânsito me beneficiaria em termos psicológicos. No ônibus, ouço música, estudo, durmo. Num carro, não tem jeito.”

“O que está por trás da nova lei é a reconquista da rua. Hoje temos uma rua monofuncional do automóvel, de preferência o modelo ‘tanque de guerra’ preferido pela classe média egoísta”, critica o urbanista Alexandre Delijaicov, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP. “Os trajetos a pé não são insignificantes no Brasil nas pesquisas de origem-destino. 

É preciso requalificar as calçadas, com uma arquitetura que atraia a se sentar, permanecer no espaço público. Os municípios precisam remodelar as calçadas, com piso antiderrapante, guia rebaixada, mobiliário urbano adequado, como bancos com encosto”, sustenta.

Para ele, a lei vai na contramão de um “urbanismo rodoviarista, capitalista, submetido ao mercado” ao incluir os trajetos a pé e com veículos não motorizados, como a bicicleta, nas discussões a respeito de mobilidade. Exemplo de suas próprias ideias, gasta, há 14 anos, 30 minutos de bicicleta de sua casa, no Itaim Bibi, até a USP, onde leciona. “É outra relação com a cidade. Você passa a perceber outras coisas, fala com as pessoas. É outra maneira de cordialidade, troca de olhar. Você é envolvido pela cidade, é um acolhimento, um recinto urbano. A rua passa a ter dimensão equivalente à sala de estar sem teto”, diz.

Diferenças

O urbanista Ricardo Correa afirma que as limitações são reflexos das diferenças sociais e ajudam a perpetuá-las. Segundo ele, na situação atual, quem utiliza carro faz em média quatro ou cinco viagens por dia. Já quem usa o transporte público faz em média 1,5 viagem. “Quem tem carro tem mais acesso à cidade. Leva o filho na escola, faz cursos, desfruta de lazer. Ou seja, tem maior possibilidade de usar os recursos da cidade, públicos ou privados”, diz. “Com uma mobilidade mais democrática, a longo e médio prazo aumenta a possibilidade de qualquer camada social gastar menos tempo se deslocando e ter igualdade no acesso à cidade.”

Cicloativista, ele vê no reconhecimento da bicicleta e de outros veículos não motorizados um dos avanços da lei. “Esses meios favorecem o adensamento urbano. Com isso, além do impacto no cotidiano das pessoas, você impacta os cofres públicos. Uma cidade mais densa significa que as redes públicas – escolas, hospitais, água tratada, esgoto – podem ser menores. Mesmo a rede de transporte coletivo.”

Um exemplo de engajamento governamental no apoio ao transporte não motorizado vem de Rio Branco, capital do Acre. Com 350 mil habitantes, a cidade tem uma rede de mais de 100 quilômetros de ciclovias distribuídas em todo o território e integradas com o transporte público, configurando a maior rede cicloviária per capita do país. A pedido da prefeitura, a TC Urbes, de Ricardo Correa, projetou a requalificação dos quilômetros de ciclovias existentes e as diretrizes dos quilômetros restantes para complementar uma rede de 160 quilômetros, objetivo do Plano de Mobilidade da cidade.

O projeto prevê a criação de bicicletários em prédios públicos e outras facilidades para os ciclistas. “Eles querem se tornar modelo para a região amazônica, mas acho que serão modelo para o mundo. Há vias na cidade que têm mais ciclistas que motos e em número quase igual ao de carros. Na Avenida Chico Mendes, por exemplo, passam cerca de 500 ciclistas em horário de pico; no dia inteiro na Avenida Paulista, em São Paulo, 300, em média”, diz.

Ricardo acredita que a PNMU traz a possibilidade de buscar um modelo nacional de mobilidade. “Podemos mudar realmente as cidades. É um processo difícil, mas temos um amadurecimento da sociedade civil, que está se organizando. A nova lei é fruto dessa organização. Agora, há um instrumento mais claro para fazer pressão sobre o poder público”, afirma.
Autor: Nicolau Soares/Foto: Ivone Perez/Fonte: Revista do Brasil

sexta-feira, 25 de maio de 2012

A bicicleta e as cidades



O Instituto de Energia e Meio Ambiente faz uma importante contribuição na área de mobilidade urbana abordando o assunto da inserção da bicicleta na cidade através de sua publicação: A bicicleta e as cidades.


Leia abaixo:

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Como surgiram as ciclovias holandesas?



A Holanda, ao lado da Dinamarca, é considera o país da bicicleta. Atualmente, sua malha cicloviária chega aos 15 mil quilômetros, distribuídos nos apenas 21,9 km² do território total – o equivalente apenas ao dobro do estado brasileiro de Sergipe.
Mas por que esse meio de transporte se difundiu tanto em solo holandês? Como aconteceu a popularização da magrela no país? O documentário, abaixo, responde a essas dúvidas, mostrando o caminho que a mobilidade da Holanda percorreu até ser mundialmente conhecida pelo saudável hábito de pedalar. Confira!


vídeo original foi feito por David Hembrow e Mark Wagenbuur, e traduzido pelo estudante Joni Hoppen, da Holland Ambassador.


Fonte: TheCityFixBrasil/Foto: Mor

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Uso de bicicleta humaniza os centros urbanos mundo afora




As cidades contemporâneas passam por significativas transformações. A incorporação da bicicleta ao espaço urbano permite a inclusão social de um maior número de pessoas aos equipamentos de lazer, saúde e educação.

Além de contribuir para a diminuição de engarrafamentos, poluição sonora e do ar, a inclusão da bicicleta como um tipo de veículo, conforme prevê o Código de Trânsito Brasileiro (CBT), de 1998, e o Estatuto da Cidade (Lei Federal 10.257/2001) é também uma forma de denunciar mais um equívoco da cidade moderna, projetada para os carros, e não para as pessoas.

Na sociedade pós-industrial, a bicicleta ganha novo status, ao deixar o estigma de transporte para operário, passando a constituir uma alternativa na busca pela qualidade de vida da cidade e dos seus moradores.

Quem poderia imaginar, na maior cidade da América Latina, São Paulo, em pleno século XXI, pessoas usando a bicicleta como meio de transporte? Mais do que modismo, como alguns criticam, sobretudo a criação de grupos de "bikes", circulam nos fins de semana ou à noite, a inclusão da bicicleta no sistema de mobilidade urbana vira necessidade.

No entanto, não constitui tarefa tão fácil porque inclui questões que vão desde criação de infraestrutura, investimentos até campanhas educativas para melhorar a relação motorista/ciclista nas ruas.

A ausência de ciclovias, sinalização, clima quente e a falta de espaços nas empresas para o banho contribuem para que a bicicleta seja usada apenas por necessidade daqueles que sequer podem pagar a passagem no transporte coletivo.

Equação

Na soma entre os prós e contras quando o assunto é o uso da bicicleta como meio de transporte, estes últimos acabam desequilibrando a equação. A presidente do Sindicato dos Engenheiros do Ceará (Senge-CE), Thereza Neumann Santos de Freitas, considera que está longe a consolidação do uso da bicicleta como meio de transporte diferente do que acontece em outros países.

Ela admite conhecer o Programa de Transporte Urbano de Fortaleza (Transfor) e considera mostrar "alguns índices de que a cidade está despontando na implantação de ciclovias". Mas, ressalva: não basta apenas construir ciclovias, atentando para a interligação desses equipamentos, construídos em eixos importantes de circulação. Indaga como fica a situação dos que usam bicicletas - como acontece no trecho que compreende as Avenidas Mr. Hull e Bezerra de Menezes - contam com ciclovias, quando chegam no fim da via?

Eles passam a disputar espaços com os carros, caso continuem o trajeto para outros pontos da Cidade. Vão se deparar com a Avenida Duque de Caxias, estreita, congestionada e sem possibilidade de diminuir as caixas rolantes para a construção de ciclovias.

A Avenida Leste-Oeste é outro exemplo, assim como a Avenida Francisco Sá. "Sou otimista, mas existem problemas técnicos" que impossibilitam essa inclusão. No entanto, reconhece os ganhos que o Transfor vai trazer para a mobilidade urbana, considerando que outras obras serão ainda necessárias. Para Thereza Neumann, existe diferença entre usar a bicicleta como forma de lazer, citando grupos que circulam em determinados horários, e para ir trabalhar.

"Não consigo ver a bicicleta virar meio de transporte de massa nas condições atuais", diz, afirmando ser a questão também cultural. Sem contar com o clima quente que não favorece. "Temos ruas estreitas e muitos cruzamentos, sendo preciso muita engenharia para adequar o trânsito". A criação de bicicletários, incentivo das empresas, espaços para estacionar nos prédios e locais para a locação de bicicletas são outros pontos lembrados pela engenheira.

Infraestrutura

O coordenador do Transfor, Daniel Lustosa, afirma que Cidade possui 65Km de ciclovias implantados com projeção de aumentar para 100Km. O número é considerado "significativo para o Nordeste", diz. Trata-se dos 30Km que estão previstos para ser construídos pelo Transfor. "Vai dar outra conotação a essas ciclovias no sentido de promover a integração", promete.

A primeira vai ser concretizada com a construção do bicicletário no Terminal de Integração do Antônio Bezerra, interligado às avenidas Mr. Hull e Bezerra de Menezes, contempladas com ciclovias até o Centro e zona do Mercado São Sebastião.

Daniel Lustosa destaca que a construção das ciclovias é baseada em pesquisa que identifica áreas de maior demanda pelas ciclovias, citando a Avenida Sargento Hermínio, onde existem fábricas que já possuem os seus bicicletários.

Outras áreas beneficiadas: as avenidas José Bastos e Augusto dos Anjos que serão interligadas ao Terminal de Integração do Siqueira. Fala do plano cicloviário de Fortaleza com a projeção para 20 anos. O documento vai mostrar a origem, o destino e as tipologias das ciclovias: lazer, serviço, orla, contemplação.

Para Daniel Lustosa, "não é possível pensar o transporte público de maneira isolada, devendo contemplar o individual, coletivo, bicicleta e a pé". Assim, justifica a criação da linha Leste do Metrô de Fortaleza (Metrofor) beneficiando os usuários da região, beneficiando a Avenida Santos Dumont.

Cita, ainda, a construção do Veículo Leve sobre Trilho (VLT), que sai de Parangaba com destino ao Mucuripe. Considera a bicicleta "uma alternativa viável e ambientalmente correta".

NÚMERO

100 km é o número total da rede cicloviária em Fortaleza, após a conclusão das obras do Transfor, que prevê a construção de mais 30km de ciclovias

terça-feira, 24 de abril de 2012

Entrevista sobre bike com o presidente do metrô de SP, Sérgio Avelleda



Há pouco mais de dois anos, o atual presidente do Metrô de São Paulo, Sérgio Avelleda, utiliza a bike como meio de transporte. Sua adesão a ela começou em 2009, quando ele, ainda trabalhando na CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), usava a bicicleta para inspecionar a construção da ciclovia da Marginal Pinheiros. Depois daquela experiência, pouco a pouco Avelleda foi adotando a bike em seus deslocamentos diários e acumulando benefícios com essa mudança de hábito, desde físicos – como o aumento da resistência muscular e redução de estresse – até a evidente economia de tempo em trajetos que, se feitos em carro ou ônibus, consumiriam uma parcela preciosa da vida em engarrafamentos.
Nessa entrevista que concedeu ao Na Bike na última semana de dezembro do ano passado, Sérgio Avelleda contou um pouco da sua experiência como ciclista urbano, falou das ideias que tem para incentivar o uso da bike + metrô e se mostrou disposto a dialogar com os ciclistas para resolver uma questão crucial para quem leva a bicicleta nas estações nos horários permitidos: a norma que obriga ciclistas a transportarem a bike no braço pelas escadas fixas do metrô, o que acaba desestimulando muita gente a fazer uso combinado desses dois modais de transporte.
Confira a entrevista:




Fonte: Época SP/Na Bike

A ordem correta da passagem de marchas